Casa DFAB

Uma Casa Suíça Construída por Robôs Promete Revolucionar a Indústria da Construção

Por Anne Quito na Suíça – 12 de setembro de 2019 (leia o original em inglês aqui)

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A Casa DFAB respeita os restritos códigos de segurança da Suíça.

Levantar um novo edifício está no ranking das mais ineficientes e poluidoras atividades humanas. O setor da construção é responsável por 40% da energia consumida no mundo, além das emissões de CO2, segundo pesquisa global das Nações Unidas (pdf em inglês)

Um consórcio de pesquisadores suíços têm uma resposta ao problema: Trabalhar com robôs. A prova do conceito chegou na forma da Casa DFAB, celebrada como o primeiro edifício habitável projetado e planejado através do uso de métodos digitais de fabricação.

O edifício de três níveis próximo a Zurique, possui forros impressos em 3D, paredes energeticamente eficientes, vigas de madeira construída in loco pelos robôs e um sistema de casa-inteligente. Desenvolvido por um time de experts do Universidade de Zurique ETH e outros 30 parceiros ao longo do processo de 4 anos, a Casa DFAB, com área de 220m2, o edifício precisou de 60% menos cimento e passou pelos restritivos códigos suíços de segurança das edificações.

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Estandes para fabricação digital da “DFAB”.

“Essa é uma nova forma de ver a arquitetura”, disse Matthias Kohler, ummembro do time de pesquisadores da Casa DFAB. O trabalho dos arquitetos tem sido secularmente apresentado em termos de desenhos inspiradores de formas de edifícios, enquanto as especificidades técnicas ficaram relegadas ao segundo plano. Kohler acha que essa é uma mudança que será rápida. “De repente, o como nós usamos os nosso recursos para construir habitações estará no centro da arquitetura”, defende ele. “Como construir, importa”.

A Casa DFAB não é o primeiro projeto de edifício a utilizar técnicas digitais de fabricação Em 2014 uma companhia chinesa WinSun demonstrou o potencial arquitetônico (em inglês) da impressão 3D construíndo 10 casas térreas em um dia. Um ano depois, a companhia baseada em Xangai também imprimiu um edifício de apartamentos e um casarão neo-clássico, porém esses projetos permanecem em fase de desenvolvimento.

Kohler esplica que bater recordes de velocidade na construção não é necessariamente o objetivo deles. “Claro que estamos interessados em obter ganhos de velocidade e economia, mas tentamos nos manter na idéia de qualidade, antes”, disse ele. “Você pode fazer coisas muito, muito rápido mas isso não significa que seja sustentável”.

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Robots at work.

Qualquer menção de automação concerne necessariamente sobre a substituição de homens pelos robôs, tomando seus empregos. Mas Kohler acredita que abraçando a tecnologia irá aumentar a criatividade humana, inclusive promovendo o renascimento do artesanato. “Como um artesão pode ter um iPhone em seu bolso, acho que no futuro as máquinas serão inseparáveis dos humanos.”

Como isso funciona? Kohler diz que a parceria com robôs significa obter o resultado dos processos das máquinas alimentarão os projetos. Ao invés de forçar as máquinas a produzir falsas superfícies feitas à mão, acreditamos que aqui há uma nova estética resultante do trabalho com a fabricação digital. O teto ornamental da Casa DFAB, criado em um modelo 3D em tamanho grande impresso em areia, é uma dica para essas novas possibilidades decorativas.

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A 3D-printed ceiling in the DFAB house.

Benjamin Dillenburger, o especialista em impressão 3D do time da Casa DFAB, acrescenta que aprender a trabalhar com robôs pode até proteger a saúde dos trabalhadores da construção. “Não se deve romantizar os trabalhos nos canteiros de obras,” adverte. “Realmente faz sentido ter esse tipo de recursos colaborativos onde robôs e humanos trabalham juntos.”

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Além da estrutura experimental na Suíça, Kohler e Dillenburger explicam que o interesse deles é fomentar um diálogo com os setores globais de arquitetura e construção. Eles publicaram o conjunto de dados de código aberto e organizaram um road-show entitulado “Como Construir uma Casa: Pesquisa arquitetônica na Era Digital,” aberto na Cooper Union em Nova Iorque esta semana

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A Casa DFAB.

Nader Tehrani, o reitor da escola de arquitetura, espera atrair uma boa audiência para a exposição aberta a todos, que ocorre até 13 de outubro. “Nós imaginamos que haveria interesse não apenas de arquitetos, mas também de engenheiros, artistas e construtores,” disse ele. “Ao mesmo tempo sóbria, racional e reflexiva, a pesquisa desse projeto é também projetiva, sem precedentes e especulativa.”

Dillemburger acredita que a Casa DFAB será interessante até para aqueles que não permeiam o universo da arquitetura e contrução. “A arquitetura é sempre um projeto público,” diz ele. “É para qualquer um que tenha a curiosidade de saber como estamos construindo para o futuro.”